Algumas notas sobre o funcionamento dos equipamentos de rádio controlo que utilizamos frequentemente.
Questões de segurança. Pelo que me diz a minha experiência teórica e prática, segurança absoluta no que respeita a equipamentos, não é possível. Venham lá os mais pintados dizer que este ou aquele equipamento é que é seguro.
Não há equipamentos seguros sejam eles P.P.M. ou P.C.M.. Lançam todos para o ar uma chuva de impulsos codificados, produzidos através de contadores electrónicos, os P.P.M. (Pulse Position Modulation), e através de microprocessadores, os P.C.M. (Pulse Code Modulation), que por sua vez são descodificados pelos descodificadores dos seus receptores. Os "fail safe" é tudo treta, podem querer, pois não serve de nada pré programar os servos. A interferência sempre pode entrar no receptor e baralhar o seu descodificador, seja ele P.P.M. ou P.C.M. Disso não tenham dúvidas. Os impulsos codificados chegam ao receptor servindo-se da frequência portadora (os tais 35..., 72... Mhz ou outras) e vão todos em série atrás uns dos outros com pequenos espaços de intervalo.
O descodificador do receptor quer P.P.M., quer P.C.M. (embora cada um de sua forma), o que faz é contá-los um a um, medir o tempo entre eles e enviar essa medida para os servos correspondentes. O espaço de tempo variável entre eles é que é a informação da posição que o servo deve tomar. Cada impulso é correspondente ao seu canal, e não pode ser mudado sob pena de que se for, fica tudo baralhado.
Agora suponham que aparece uma interferência gerando impulsos que se misturam no receptor, com os impulsos originários do nosso emissor! O receptor conta-os como bons, e de seguida a descodificação deixa de ser válida provocando o acidente eminente.
A forma mais segura de eliminar em parte este problema seria, se os equipamentos transmitissem em duas ou três frequências ao mesmo tempo, (em bandas diferentes) de forma que se a interferência aparecesse numa delas, a outra estaria limpa para compensar o lixo que a primeira trazia consigo.
Tais equipamentos, ainda nunca os vi, até porque teriam outras desvantagens, como por exemplo ocupar muitos canais, e não só.
Muitas pessoas pensam que os seus rádios são mais seguros porque tem muitos bonequinhos a aparecer no seu display, mas estão completamente enganados porque a forma de transmitir a energia para o ar não varia em nada dos que não tem display e memórias.
Os rádios variam quanto á modulação sendo: A.M. ou F.M..
Quanto á codificação sendo: P.P.M. ou P.C.M..
Tudo o resto são avanços da tecnologia sem dúvida, mas não tem nada que ver com a segurança na transmissão dos dados para o receptor.
Um bom receptor de dupla conversão (NE: ver outro artigo do mesmo autor) tem mais possibilidades de ter menos interferências do que um de conversão simples, mas nunca pode eliminá-las por completo. Disto também não tenham dúvidas.
Bons Voos.
Um velho aeromodelista.
António Diogo Vieira Sebastião
Técnico de radio e electrónica, reformado da TAP-AIRPORTUGAL.Mail: advsebastiao@mail.telepac.pt
Site : http://sapp.telepac.pt/live-steam