RECEPTORES DE DUPLA CONVERSÃO
Um artigo de António Diogo Vieira Sebastião
No receptor de conversão simples, os 35.000 mhz de radio frequência que vem do emissor contendo sinais codificados, entram pela antena, são amplificados e vão para o único misturador heterodino que faz a soma algébrica, somando ou subtraindo os 35.000 mhz pela frequência do cristal que lá pusemos que neste caso seria 34.545 mhzs apesar de lá estar inscrito R35.000, e daria como resultado 0.455 mhz, e que é chamada frequência intermédia. Ou seja: 35.000-34.545=0.455 . Estes 0.455 mhz = 455 khz seguem para um filtro cerâmico e vão ser amplificados para serem entregues ao contador descodificador do receptor, que por sua vez os entregará aos servos.
Como viram, dentro do receptor aconteceu uma mudança de frequência de 35.000 mhz para 0.455 mhz devido á presença da frequência do cristal. Para quê isto? É porque se não existisse esta mudança, o receptor não teria selectividade para eliminar frequências vizinhas dos 35.000 mhz.
Mas este receptor tem um defeito. É que deixa entrar os 35.000 mhz “que interessa”, mas também deixa entrar 34.090 mhz “que é uma frequência imagem da verdadeira e não interessa”, e que se for subtraída á frequência do cristal que é 34.545 mhz, também dá 0.455 mhz podendo assim seguir para o descodificador, baralhando tudo.
Isto acontece quer o receptor funcione em amplitude modulada (AM) ou frequência modulada (FM). Modernamente usa-se a frequência modulada. Esta frequência modulada serve de cavalo para transportar os impulsos P.P.M. ou P.C.M. vindos do codificador do emissor.
Agora vejamos como funciona o receptor de dupla conversão.
Os mesmos 35.000 mhz entram pela antena e seguem para o primeiro misturador heterodino que também faz a soma algébrica com a frequência do cristal que lá pusemos, mas agora o cristal tem frequência diferente que será de 24.300 mhz, apesar de ter inscrito dupla conversão R35.000 . Subtraindo 35.000 mhz a 24.300 mhz dá 10.700 mhz que é a primeira frequência intermédia originada pela primeira mudança dentro do receptor. Estes 10.700 mhz seguem agora para um filtro cerâmico e vão para o segundo misturador onde será subtraída com a frequência do segundo cristal (este agora fixo) e que terá a frequência de 10.245 mhz para dar a segunda frequência intermédia, os tais 0.455 mhz como no receptor de conversão simples. Aqui dá-se a segunda mudança de frequência dentro do receptor.
A partir daqui tudo se passa como no receptor de conversão simples quer seja amplitude modulada ou frequência modulada.
Fazendo agora a analogia com o receptor de conversão simples, verifica-se que se chegar ao receptor uma frequência indesejável de 13.600 que também é imagem dos 35.000 mhz, ela é rejeitada pelo receptor porque está muito distante da frequência desejada que é 35.000 mhz.
Para quê esta complicação toda? Para que o receptor seja ainda mais selectivo, e rejeite melhor as interferências.
As frequências indesejáveis que aqui citei são chamadas frequências imagens das frequências que interessam receber.
34.090 conversão simples, e 13.600 dupla conversão, neste caso concreto.
Porém o receptor de dupla conversão não está completamente imune ás interferências. Elas podem sempre entrar pela antena e pelos fios dos servos, especialmente se tiverem potência e frequências adequadas de forma a que misturadas com as frequências dos cristais possam gerar frequências iguais ás frequências intermédias e seguir para frente indo baralhar o descodificador.
Ideal seria talvez os receptores de tripla conversão, mas, que eu saiba eles existem só para outras finalidades.
Em radio controlo ainda não os vi. Talvez mais tarde.
Bons Voos.
Um velho aeromodelista.
António Diogo Vieira Sebastião
Técnico de radio e electrónica, reformado da TAP-AIRPORTUGAL.Mail: advsebastiao@mail.telepac.pt
Site : http://sapp.telepac.pt/live-steam